5 de dezembro de 2007

ÁFRICA EM PORTUGUÊS

Em Moçambique, as campanhas dos telemóveis agitam-se. Este spot, que nasce de uma outra música, teve direito a sequelas e a contra-ataques da concorrência.
Vamos lá ver, afinal, quem é Patrão!

O LEVANTAR DO CHÃO

Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.

3 de dezembro de 2007

O VERDADEIRO VENCEDOR DO FESTIVAL MICROFILMES

A popularidade tem destas coisas. Apesar de não ganhar nada, este foi o filme mais comentado do festival organizado pelas PF, este fim-de-semana:


O ESPAÇO DE CRIAÇÃO

Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...

ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.

1 de dezembro de 2007

VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS

A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.

Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.

29 de novembro de 2007

WC, CASA DE BANHO, BANHEIRO, ASSEOS...

Graças ao Flávio, meu aluno de Criatividade Publicitária, que encontrou o link, posso anunciar que este blogue já dispõe de casa de banho.
Já não há razão para interromperem os comentários. Qualquer necessidade que não seja de expressão, é em baixo, ao fundo!

ps: a minha versão favorita, é a francesa.

27 de novembro de 2007

BOA

a entrevista do Ricardo A. Pereira ao José Mario Silva.
PRÉMIO NATURALIDADE

Para esta foto publicitária dos supermercados Lidl. Ao olharmos o fio que segura a barba e barriga do modelo podemos antecipar a reacção das criancinhas.




Por 7.99 euros, não está cara a vingança de nos azucrinarem a cabeça toda a noite...
VENDE-SE

Constipação forte, com tosse virada a norte, bem localizada. Febre com vista para cenas delirantes e uma boa resistência ao Paracetamol.
Trata o próprio.

ps: não atendo agências. Sobretudo mortuárias.

25 de novembro de 2007

JA NÃO HÁ PACHORRA

para o aeroporto de Madrid.
Pronto, já desabafei.
EL OBRERO DIGITAL

Uma revista online interessante é este "Obrero...".
Além do bom gosto das escolhas, escrevem bem. Veja-se, como exemplo, este pedaço, escolhido totalmente ao acaso, do último número: "Las letras portuguesas están en plena renovación, como demuestra del hecho de que cada vez aparacen autores más jovens e interessantes. Un bueno ejemplo lo encontramos en este libro que réune una grata selección de relatos y una cuidada novela corta. La literatura emocional e la inteligente se dan la mano en los textos de Possidónio Cachapa".
:) Agora a sério, saltando o detalhe/"xiste", a revista tem graça.

23 de novembro de 2007

ELES "ANDEM" AÍ

Há pouco, no metro, uma mulher jovem, sentada à janela, lançou um grito dilacerante. Como se lhe tivessem revolvido as entranhas. Depois continuou, calmamente no mesmo sítio, até chegar a estação final, onde saiu e se perdeu no meio da multidão. Estava vestida e penteada de forma absolutamente normal. E contudo, quem estava naquela carruagem percebeu que alguma coisa tinha "estalado" dentro dela.
Cada vez mais avisto gente a deambular pelas ruas, falando com inimigos imaginários que, a atender pelas expressões, os atormentam. Há muitos anos que não via tantos "loucos" na rua.
Isto só dá razão aos que acreditam que a pressão em que o país vive actualmente ou nos catapulta para o bem-estar ou nos matará de fome ou doença.
Para os mais fracos, é certo que não chegará a tempo a melhor das hipóteses.

22 de novembro de 2007

FALTA-ME O TEMPO

para o blogue, para levar a sério o que se diz no telejornal.
Recupero os dias que perdi a falar bem do meu país no estrangeiro, indo às finanças pagar multas, tentando que os compromissos de trabalho se mantenham de pé, e que a vizinha de baixo entenda que a razão porque um bocado do tecto lhe caiu não foi eu não estar em casa e de ninguém bater com portas ou martelos...
Passo nas livrarias e avisto os pontas-de-lança de consumo a que chamam "literatura". Alguém vai receber muitas folhas do mesmo...

De Espanha chega o interesse da crítica. O Agarrate a mi pecho en llamas faz um caminho mais auspicioso do que por cá. Santos de casa, já se sabe...

ps: permanece o mistério da não existência de transportes aéreos entre Portugal e a Galiza... Lá terei de ir perder mais uma malita para o aeroporto de Barajas (Madrid)...

15 de novembro de 2007

ESPANHA

Ainda de mala perdida (obrigado aeroporto e companhia aérea), para variar, passo por aqui, para anotar rapidamente umas coisas.
1: Cada vez mais, Espanha se abre aos autores portugueses, recebendo-os com carinho, lendo-os e desejando-lhes que voltem para partilhar. São mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.
2: AGARRATE A MI PECHO EN LLAMAS, funciona da mesma maneira noutras línguas.
3. Madrid é encantador em dias de sol, mas Zaragoza é uma cidade a descobrir rapidamente. Uma boa oportunidade será no próximo ano, com a Expo2008.
4. Gostei muito de falar com os alunos de português em Espanha. Aprendem voluntariamente e falam com entusiasmo.
5. Viva o vinho aragonés. E as tapas em geral.

ps: que me perdoem os que comentaram por estes dias, mas sem querer, apaguei os comentários. Em resposta à Julie, nos USA, estou bem, o terramoto no norte do Chile só matou uma velhinha. Deus a guarde. Para a Elena, d Zaragoza, obrigado pelas palavras simpaticas e boa leitura. para o anónimo que dizia que "estava muito diferente", é verdade: mais cabelos brancos, menos ingénuo, mas ainda assim um pateta que abraça primeiro e pergunta depois :)

9 de novembro de 2007

DE VOLTA A CASA

...penso no Chile. Nos chilenos. Nos desertos a sério que não vi, por falta de tempo. Na forma afável com que respondem a uma primeira abordagem. Não falam muito. Nos "colectivos" (táxis que vão recebendo passageiros até esgotar os lugares) ou nos autocarros, calam-se, mesmo entre si. A sombra da ditadura ainda se sente. A palavra "Pinochet" aparece nas paredes, vaiada ou apoiada, frequentemente.
É uma sociedade endogâmica, mas organizada e disposta a chegar sem pressas ao futuro. Basta visitar o museu pré-colombiano, em Santiago, para entender que estamos perante um conjunto de povos antigos, que dominavam elementos abstractos na arte, muito antes de nós, na Europa. Picassos antes de tempo, o simbolismo a prevalecer sobre o realismo.
Sai de lá com o meu portunhol carregado de sotaque sul-americano. A cheirar a frutilla.
Vou querer voltar para ver a Patagónia e Atacama. Os extremos.

4 de novembro de 2007

CLOP CLOP

O que eu gosto nos sul-americanos é a descontracçao.
No Brasil riam-se à gargalhada da minha tentativa de provar que estava diplomado para fazer mergulho. "Tudo bem, cara!".
Aqui, no Chile, chego a um rancho que vende passeios a cavalo e digo que não tenho experiência."Los caballos san mansitos". E pronto: 5 minutos depois estava a trote pela rua empedrada, ao 10 min. subia um monte, aos 30 min. tentava dominar uma égua que queria atirar-se da encosta abaixo e aos 40, caminhava sobre um cavalo que por sua vez se equilibrava num carreiro de 40 cm... O vale a brilhar lá em baixo.
Gosto dos sul-americanos. A vida é mais simples.
E, frequentemente, mais curta.

30 de outubro de 2007

DO CHILE...
Chega-se ao maravilhoso edifício da estacão (nao sei das cedilhas, neste teclado) Malpocho e lembramo-nos logo do que deve ser uma feira do livro. Em seguida, vemos as filas para entrar, as turmas escolares que chegam aos magotes e se espalham a folhear o que podem (ou, como acontece muito por aqui, a namorar, que é uma outra forma de compreender o Camilo Castelo Branco).
O Brasil é o país convidado, preenchendo com "charlas" (conferencias - também não encontro o circunflexo...) sobre os seus autores e a sua visao do mundo.
Por Portugal estou cá eu, a fazer o que posso, a falar de Herberto Hélder ou dos autores recentes. Sempre bem apoiado pela Embaixada/Instituto Camões.
Os Chilenos ficam curiosos. Só sabem do Saramago, do Pessoa e do Lobo Antunes. Querem saber mais e eu conto-lhes. Somos uma gota no universo dos livros, a divulgar a língua e a literatura portuguesas.
Na Universidade faco um workshop com os alunos de portugues. Brincamos à escrita criativa. E eles inventam e escrevem com o mesmo animo dos que encontro em Portugal.
Penso como seria bom para Portugal que isto não fosse um acto isolado.
Acho que repetir este programa de divulgacao da nossa literatura, mundo afora, só poderia trazer benefícios para todos.
Vamos ver.

24 de outubro de 2007

CHILE

Nos próximos dias não vou poder escrever aqui.
Vou atravessar o Atlântico, em direcção ao Chile. A convite de várias instituições portuguesas e da Feira do Livro de Santiago do Chile, ali estarei, a defender a literatura portuguesa. Sobretudo, a dos outros, embora, de raspão, também lhes dê contas do meu trabalho.
Num espanhol fraquito, é certo :)
Adeus e até ao meu regresso.
ps: admitindo que a greve dos pilotos da TAP me deixa arrancar...

22 de outubro de 2007

PECHO EN LLAMAS

Para los amigos de Espanha, aqui fica a capa da edição espanhola de SEGURA-TE AO MEU PEITO EM CHAMAS.
A apresentação será feita em Madrid a 13 de Novembro (no decurso de um grande evento literário organizado pela Embaixada de Portugal) e a 14 em Zaragoza.
Para os portugueses que não leram e que o queiram fazer na nossa língua, basta procurar nas zonas mais escuras das grandes livrarias, no sítio dos escritores que não apresentam coisa nenhuma, ou, no caso da Fnac, esgaravantando na prateleira da letra "C" (normalmente estão escondidos por detrás do COELHO, Paulo). Ou comprar via net, de qualquer livraria online



HER(M)ITAGE

Em homenagem à nossa ministra resolvi ir visitar o Hermitage de Amsterdão que lhe serve de referência. 7 euros depois (mais 2 por um café e 4 (quatro) por uma fatia ranhosa de bolo de maçã) fiquei elucidado (ah! e mais 1 euro para o cacifo obrigatório).
A média de idades rondava os 120 anos, descontando a minha e a de duas crianças de olhar esgazeado, arrastadas pelos pais.
Resumindo: trata-se de uma colecção de objectos, a maioria "caseiros", digamos assim, feitos no início do século XX. Arte Nova, quase tudo. Do tédio de ver cadeiras artisticamente trabalhadas, à excitação de observar pregadeiras de peito (a quem o nome mais comum faria justiça), foi do dinheiro mais mal dado da minha vida.
Mas percebi a razão de se ir estourar mais de um milhão de euros para ter coisas daquelas cá, ao ler o Destak de hoje (700.000 leitores, dizem eles, quem quiser que acredite. Deparei com uma entrevista a Isabel Pires de Lima. Igual a si própria. E por incrível que pareça, ela quer mesmo atrair a 3a idade. Alguém lhe deve ter dito que isto da velharia é que dava dinheiro. Provavelmente o colega das Finanças. E vá de gastar o erário público e os escassos mecenatos obtidos naquilo.
Já agora propunha-lhe uma exposição internacional de andarilhos. Ou um congresso de Viagra com bailarinas vestidas com bananas à moda de 1920.
Da entrevista percebe-se 2 coisas: a senhora está a fazer tudo para agradar ao nosso primeiro-engenheiro, para que este, na sua teimosia a mantenha até ao fim do mandato.
Há um lado bom nisto de promover cultura para a 3a idade: é que eu, quando leio estes dislates, fico com a cabeça cheia de cabelos brancos.A segunda, ela e a sua equipa acreditam que a cultura de um país se faz sem os criadores vivos.
Daqui a apreciar o pastelão do Hermitage é um passinho.